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Lean Manufacturing

Introdução à Produção Enxuta
Criado há mais de sessenta anos, o sistema de produção just-in-time foi bastante admirado no mundo inteiro por volta de 1980 pelos seus significativos ganhos na melhoria da qualidade e no aumento da eficiência (Liker 2004).

Entretanto, nessas seis décadas, o mercado mudou: os clientes finais passaram a desejar produtos personalizados, com amplas opções de cores e modelos. Empresas, especialmente as montadoras de computadores e de automóveis, passaram a fornecer configuradores de produto em suas páginas de internet. Neles, os clientes escolhem item a item como desejam os seus produtos, transformando as suas ordens de compra em pedidos praticamente únicos tendo em vista as inúmeras combinações possíveis. É nesse contexto que o método Toyota de produção ganha a atenção do mundo industrial mais uma vez, já que, nele, cada produto é montado para um cliente final já existente e conhecido.

Mesmo tendo sido criado na década de 40, a literatura existente sobre sistema de produção puxado está cheia de lacunas, principalmente na parte da aplicação prática. Além disso, o entendimento de alguns tópicos, como o funcionamento do kanban, por exemplo, torna-se difícil sem a visualização de um diagrama ou uma animação.

 


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Origem do Sistema Toyota de Produção
O ano era 1950 e o Japão estava com suas fábricas totalmente destruídas por causa da sua derrota na segunda guerra mundial. O então presidente da Toyota, Eiji Toyoda, e o engenheiro Taiichi Ohno passaram três meses no complexo da Ford nos Estados Unidos estudando os métodos de produção fordista para entender porque a produtividade dos operários americanos era dez vezes superior à dos orientais (Ohno 1997). Tal diferença de produtividade só poderia ser explicada pela existência de perdas no sistema de produção. A partir daí, o que se viu foi a estruturação de um processo sistemático de identificação e eliminação das perdas (Ghinato 2000). O objetivo principal era reorganizar a fábrica japonesa e torná-la numa grande montadora de veículos.

Ohno e Toyoda concluíram que nem o sistema de produção em massa, nem o sistema artesanal iriam ser aplicáveis à sua realidade. Era preciso adaptá-los e criar um sistema novo com características diferentes (Womack, J.P. apud Zagonel 2006). Inversamente ao que acontecia com a fábrica Ford, a Toyota possuía um reduzido capital de giro e operava num país pequeno e com poucos recursos. O novo sistema de produção deveria então fazer com que o dinheiro investido na fabricação de cada automóvel fosse recebido de volta o mais rápido possível (Liker 2004).

Atualmente, o Sistema Toyota de Produção (STP) é visto não apenas como um conjunto de métodos e regras, mas como uma nova filosofia de produção que procura otimizar a organização de forma a atender as necessidades do cliente no menor prazo possível, na mais alta qualidade e ao mais baixo custo, ao mesmo tempo em que aumenta a segurança e o moral de seus colaboradores, envolvendo e integrando não só a manufatura, mas todas as partes da organização (Ghinato 2000).

Pode-se afirmar que uma das grandes mudanças proposta pelo STP é o fato de puxar a produção em vez de empurrá-la. Isso significa que os produtos não são empurrados para os clientes finais pelos vendedores e, posteriormente, retirados do armazém. Na produção puxada, montam-se os produtos de uma forma muito rápida, começando a produzi-los pouco antes da data em que devem ser entregues e concluindo-os apenas no dia exato, ou seja, just-in-time (JIT).

A comparação dos dois parágrafos anteriores permite dizer que o just-in-time é apenas uma parte do STP, geralmente utilizada em conjunto com a autonomação e outras ferramentas. Essa última, também é conhecida como automação com toques humanos. De acordo com o seu idealizador, pode-se dizer que ambos representam os dois pilares principais daquele sistema (Ohno 1997). De maneira a ratificar tal informação, estão descritos, a seguir, de forma concisa, todos os princípios do sistema de produção oriental. Contudo, mesmo estando intrinsecamente relacionados, este trabalho aborda apenas o método de produção puxado, uma vez que o os outros componentes do sistema Toyota não estão diretamente implementados no simulador desenvolvido.

 

 

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